dezembro 25, 2003

Um projeto nascendo
Numa conversa de ônibus, eu e um veterano discutíamos sobre os problemas que eu identificava no E.M.A (Extensão Médica Acadêmica), um projeto assistencialista do qual faço parte na faculdade. Da quase fervorosa discussão, nasceu a idéia de um projeto verdadeiramente de extensão. Algo que daria muito trabalho mas que se desse certo, seria um marco na nossa história e, principalmente, na história da comunidade.
Com muito empenho desse meu veterano, amadurecemos a idéia e hoje, depois de alguns meses, começamos a colocar a mão na massa.
Fomos à fundação Julita, um dos lugares com o qual trabalhamos no E.M.A. A idéia era obter o máximo de informações da comunidade que vive em volta para tentar decidir com qual iremos trabalhar e de que maneira.
Primeiro conversamos com a Assistente Social que trabalha na Fundação. Ela foi muito gentil. Nos contou sobre muita coisa da fundação, das favelas ao redor, da comunidade em geral. Ela foi extremamente paciente nas respostas do nosso “interrogatório”, prometeu nos fornecer alguns documentos e nos colocar em contato com outras pessoas, que poderiam nos falar melhor sobre algumas informações específicas que gostaríamos de ter.
Depois, atendendo a um pedido nosso, ela nos levou para conhecer a creche. A idéia era olharmos o espaço físico mas acabamos totalmente encantados pelas crianças que não paravam de falar com a gente, nos dar bexigas, fazer caretas. Eu me senti em casa. Lógico! Uma (provável) futura pediatra não se sentiria bem num lugar mágico como esse?
A creche me impressionou bastante também pela sua estrutura e organização. Fiquei admirada com as salinhas de leitura, o berçário, a sala de brinquedos, o refeitório. Tudo muito bom. Crianças bem cuidadas e saudavelmente agitadas. Apesar da bela estrutura, não saia da minha cabeça o pensamento de que “há muita coisa a se fazer por muita gente. Pessoas a quem podemos ajudar e que podem nos ajudar não faltam em lugar algum. Numa creche como essas, por exemplo, ter pessoas (voluntários) para contar história para as crianças, seria de grande valia. Quem não faz nada por ninguém, não faz mesmo por falta de vontade porque necessidades, há milhares, por todos os lados.”
Ficamos um pouco assustados com a grandiosidade da fundação e dos projetos já existentes ali. É claro que não deixa de ser uma comunidade carente, com poucos recursos, que ainda tem muito a melhorar, mas eles já tem uma estrutura e organização muito boas para conseguir o que precisam. Ficamos na dúvida se esse é o local certo para atuarmos. Vamos estudar melhor isso juntos e decidir depois.
Fiquei feliz de conhecer pessoas tão empenhadas, trabalhadores amantes da vida e das pessoas que os cercam.
Precisamos, agora, sentar e organizar todas as informações que recebemos, além de obter as outras tantas que precisamos. Temos a idéia de escolher a comunidade e montar um projeto para pesquisar melhor as condições daquela população, até 20 de janeiro. Não sei se vai dar mas vamos nos esforçar muito para isso, sem pressa.