janeiro 27, 2003

Caminhos e Parcerias

Ontem, assistindo ao programa Caminhos e Parcerias da TV Cultura, chorei feito um bebê ao ver Rogério.
A reportagem a que assisti, feita por Neide Duarte, falava sobre as crianças vítimas da seca, no sertão de Alagoas, que sofrem com o descaso dos governantes e contava histórias de mulheres que, por exemplo, tiveram 24 filhos, dos quais 15 morreram, os outros todos são (ou foram) desnutridos e a família toda passa fome. Uma situação lastimável.
Rogério é um sertanejo, hoje com 4 anos, que também sofre de desnutrição. Há cerca de 8 meses eu havia assistido uma reportagem desse mesmo programa, mas feita há dois anos, na qual uma imagem apresentada me chocou e ficou marcada na minha memória e no meu coração: Rogério (com 2 anos) estava na fila do hospital, esperando para ser examinado, quando a repórter lhe deu um copo de água de coco. Aquele menino, nascido naquela terra tão rica em cocos, tomou pela primeira vez a doce água. O pequeno garoto, com olhar triste e braços tão magrinhos, agarrou o copo com tamanha força e bebeu-o inteiro. Ao terminar, tentou lamber o restinho no copo e, quando sua mãe tirou o recipiente de suas mãos, ele abriu um sorriso iluminado (o mais lindo que já vi). Lembrei das palavras da médica na reportagem "quando uma criança em tal condição sorri, é porque ela está salva" e desejei, com todas as minhas forças, que aquela frase fosse verdadeira. Pois bem, 2 anos depois, a repórter voltou para ver como estava Rogério e... ele realmente estava salvo. Tinha engoradado mais, com a abençoada ajuda de um padrinho (empresário) que lhe enviava alimentos todo mês. Rogério estava feliz e parecia que se lembrava da repórter Neide quando a abraçou com tamanho carinho. Chorei, chorei, chorei...
Chorei por saber que ele estava bem, por saber que infelizmente muitos não tem a mesma sorte e morrem antes mesmo de conseguir pedir ajuda, por saber que milhares de pessoas convivem com essa realidade, abandonados e/ou sendo explorados, sem poder melhorar e, principalmente, chorei por não poder fazer nada agora (ou por não saber o que fazer diretamente).

É por essas e outras que penso que quando eu terminar a Faculdade de Medicina e a Residência, quero viajar para algum canto desse imenso país, para algum lugar que esteja precisando de uma médica e de uma cidadã com algum conhecimento, para tentar melhorar a vida de pelo menos algumas pessoas. Sei que os recursos dos hospitais desses lugares são bastante escassos e que muitas vezes faltam objetos essenciais como ataduras ou algodão. Mas é por isso também que quero ir. Porque pouquíssimos são os profissionais que tem coragem para enfrentar situação tão difícil e, se eu tiver, minha responsabilidade se duplicará.

Sei que antes desses 8 ou 10 anos, durante meus estudos, já poderei começar a fazer algo por essas pessoas tão sofridas e realmente pretendo fazer. Acho que o primeiro passo foi ter feito esse blog para tentar compartilhar com outras pessoas idéias semelhantes e, para que juntos, possamos agir.



janeiro 21, 2003

Tive vontade de criar esse blog com objetivos claramente sociais.
Ainda não tenho uma idéia muito madura sobre o que vou publicar mas aceito sugestões.
Para começar, se houver interesse, sugiro que visite os sites ao lado.