novembro 21, 2003

Evento gratuito para capacitação de organizadores sociais
Dia: 28/11/03
Horário: 19h
End.: Câmara Municipal de São Paulo Viaduto Jacareí, 100
1. andar, auditório anexo G
tel: 3831-4336
e-mail: luisalvesapoio@uol.com.br
www.humanista22.org

setembro 02, 2003

Quarta-feira passada conheci uma figura bem esquisita e, é claro, critiquie-a antes de parar para pensar.
Ele é um médico que está realizando um projeto em escolas municipais com o intuito de identificar crianças e adolescentes com riscos de ter doenças como hipertensão ou diabetes. Nesse dia, tive a oportunidade de ir com ele a uma dessas escolas para passar um questionário às crianças, medi-las, pesá-las e aferir sua pressão.
Durante a manhã toda que ficamos lá, o cara se mostrou extremamente arrogante, um tanto grosso com o pessoal que o estava ajudando e, pior, estúpido com os alunos que participavam do projeto.
Tudo bem que o doutor teve boas intenções (só parei para pensar por causa disso) ao fazer esse projeto e colocá-lo em prática mas considero que isso não é o suficiente. O que adianta ele querer fazer um bem se abusa de sua arrogância maltratando quem o auxilia e as pessoas a quem quer ajudar?
Se continuar assim, ele nunca vai conseguir concluir esse projeto de maneira satisfatória porque não encontrará parceiros, não terá credibilidade nem respeito das crianças e dos adolescentes.
Na minha opinião, isso é burrice.


julho 09, 2003

Baixa produção social...
Não eram esses meus planos. Mas, já que foi assim, agora só me resta a vontade de que daqui pra frente, será diferente.

maio 27, 2003

Esse fim de semana, fiz meu terceiro atendimento em uma comunidade carente. É estranha a sensação de tentar entender uma realidade que não é a sua, sem julgá-la e tentando se aproximar ao máximo de como ela é para o paciente. Não sabia que era tão difícil conseguir empatia verdadeira.

"Entregar-se de corpo e alma; lutar por um mundo melhor, um pequeno jardim, ou uma condição social justa; ter brincado e gargalhado com entusiasmo e cantado com fervor; saber que alguém suspira mais aliviado porque você está vivo; isso é ter vencido." Ralph Waldo Emerson, poeta, EUA, 1803-1882


abril 27, 2003

Falta de tempo
Tem muita gente que diz que não faz nenhum tipo de trabalho social porque não tem tempo. Essa é a desculpa mais velha e mais hipócrita que conheço (para qualquer coisa). Quando algém quer realmente fazer algo, ela sempre arruma tempo.
Conheço pessoas, inclusive muitos médicos, que trabalham muito, dão plantões, têm vidas agitadíssimas e, mesmo assim, fazem questão de participar de algum tipo de trabalho voluntário - porque gostam, sabem a importância da cidadania para seu próprio benefício, além de para o bem-estar da comunidade onde vivem.
Muitas vezes, eu mesma dei essa desculpa e tenho plena consciência de que não era tempo que eu não tinha, era falta de vergonha na cara, falta de coragem de dizer "não quero" ou "tenho medo" ou "acho que ainda não é o momento".

abril 09, 2003

"É necessário que o mundo, depois de ti, seja algo melhor, porque tu viveste nele."

"Deveríamos pensar mais em fazer o bem que em estar bem. Dessa forma acabaríamos por estar melhor."

março 30, 2003

Lindo relato de Rudolf Waller (de um grupo de amigos de Sorocaba que ajuda pessoas carentes)

Anjos

Certos fatos podem mudar drasticamente nossas vidas. Muitos nem chegam a percebê-los, já outros aceitam a grande oferta que a vida oferece. Foi isto que ocorreu há quatorze anos em uma noite gelada de São Paulo. Kaká encontrou um idoso morador de rua num semáforo, tremendo de frio, pedindo dinheiro para comida. Aquilo o chocou de tal maneira que mudou radicalmente sua vida.
Sexta-feira., tarde da noite, véspera do aniversário da cidade de São Paulo. Cida, minha esposa, me chama com urgência na sala para ver uma matéria do Globo Repórter. Era sobre um grupo de amigos de São Paulo chamados “Anjos da Noite” que entrega alimentação para centenas de moradores de rua nas noites de sábado. Pegamos o telefone de contato no site deles (Anjos da Noite) e marcamos a visita para o dia seguinte mesmo.
Fomos muito bem recebidos, juntamente com um monte de gente que viu a reportagem na noite anterior. Após levarmos as panelas com comida para a Kombi e fazermos uma linda oração, fomos todos ao local de distribuição, perto da estação Santa Cecília, embaixo do Minhocão.
Quantas crianças nos aguardavam! Em grupos, abraçados às mães, correndo, quietas, sapecas, tímidas. Sorridentes como todas deveriam ser, esbanjando felicidade por mais uma noite ansiada pela semana inteira. Uma emocionada menininha com sorriso farto nos diz que consegue arranjar comida e roupa por aí, mas atenção e carinho ela só encontra nesta hora.
Mesas e cadeiras de metal são abertas, panelas prontas sobre o imenso balcão, fila enorme de gente faminta. “Anjos” começam a servir àqueles seres tão especiais, lutadores por natureza, teimosos por não desistirem de sorrir. Bênçãos são ofertadas juntamente com o alimento, numa fartura resultante da união de pessoas interessadas somente no bem estar dos que ali moram.
Um senhor de muleta me chama. Conta-me que era professor de matemática, mas teve um acidente, perdeu o emprego e passou a morar na rua. Percebo que está um pouco alterado, provavelmente a bebida é o seu único consolo. Elogia “nosso” trabalho, agradecendo a visita, o carinho, a comida. Engana-se, amigo, lhe demos muito pouco. Nós é que ganhamos, sim, uma grande lição de vida como tantas outras que recebemos de corações calejados pela vida sofrida. Logo ele parte, carregado por dois amigos seus, sumindo na imensidão das ruas, levando consigo uma bênção vinda do alto.
Começa a garoar, bem típico desta grande cidade. Uma mãe abraça seu pequeno tesouro de alguns meses. Ele dorme tranqüilo, tem um anjo a lhe proteger os sonhos inocentes. Carinhosamente cobre-lhe a cabecinha, nada neste mundo conseguirá lhe fazer mal. Já outras crianças correm, festejando as pequenas bênçãos vindo do alto em forma de garoa.
Um pouco antes de irmos a outro local, um rapaz começa a chorar copiosamente, ferido por chagas abertas há tempos. Aidético e com diabetes, pede que o levemos a um hospital para hemodiálise. Lamenta-se da dor do isolamento que o aflige dia após dia. Nos conta que poucos tem coragem de chegar perto, pois temem um contágio irreversível. Mais do que a dor física, ele sofre de carência de afeto, carinho. Quer ser tratado como gente que é, sem preconceito.
Após todos terem se alimentado, marmitex são feitos para distribuição no centro da cidade, atrás do Teatro Municipal. Sob a iluminação amarela, no teto leões de pedra nos observam imponentes. Grupos se formam e, munidos de marmitex, procuram os que dormem ao relento. Ao contrário do “restaurante” do minhocão, aqui a comida não é suficiente para alimentar a todos. Muitos terão como única opção continuar dormindo. É a maneira que tem de esquecer a fome, a dor, a solidão.
Neste sábado de Carnaval, visito os “Anjos” novamente, tomado de saudade. Observados pelos mesmos leões de janeiro, Kaká conta-me do mais belo presente de aniversário que já teve: Anos atrás ele comemorou seu aniversário junto com os moradores de rua, com bolo e tudo. Sem que ele soubesse, os moradores haviam distribuído convites, fizeram inúmeras faixas, organizaram um coral de pequenas crianças, tudo para homenagear àquele que tanto faz por eles. Ele mal podia falar, tomado de lágrimas pela linda festa que eles lhe fizeram. Sentiu-se pequeno diante de tanta demonstração de carinho.
Segundo diversas crenças, existem alguns anjos entre nós, disfarçados de gente. Simples, humildes, passam desapercebidos. Valorizam a bondade, a inocência e a pureza que existe dentro de cada um de nós. Sorte de quem teve a felicidade de encontrar um único destes anjos. Sou um dos raros privilegiados que encontrou alguns. Um destes anjos mobiliza dezenas de amigos todas as semanas para que, juntos, centenas de pessoas que moram nas ruas possam ter dignidade de serem, acima de tudo, humanos.

Com esta crônica tentamos espalhar sementinhas de assistência aos quatro ventos da Internet. Quem sabe algumas brotam AÍ NA SUA CIDADE?

março 15, 2003

Minha estréia

Hoje, fiz meu primeiro atendimento no projeto social no qual ingressei. Tudo ainda é muito novo para mim mas já estou adorando. Recebi os pacientes melhor do que eu imaginava e acho que eles também não esperavam tanta atenção.
Porém, tive minha primeira decepção quando percebi que posso fazer muito menos do que eu gostaria. É muito triste ver alguém precisando de ajuda e não poder fazer nada por aquela pessoa mas isso acontece com freqüência. Afinal, os sistemas de educação e saúde de nosso país estão péssimos e muitas pessoas que precisam se tratar não o fazem por falta de conhecimento e/ou por falta de atendimento.
Uma outra coisa que me preocupou foi ter visto uma veterana reclamar que ainda não sabe "quase nada", que a cada dia ela percebe que tem muito mais que precisa aprender, que deixa de perguntar muita coisa (às vezes por não ter pensado outras por não saber mesmo). Eu imaginava que esse sentimento de "ai, como sou ignorante" iria diminuindo com o tempo mas pecebi que a tendência é aumentar porque quanto mais a gente estuda, mais percebe que precisa aprender e mais responsabilidade precisa ter. Paciência...
O problema é que mal temos tempo para estudar para as provas da faculdade e aprender o que nos exigem em sala de aula. Quando encontrar tempo para estudar o que nos interessa na profissão???

março 01, 2003

Minha visão infantil e limitada me impediu de perceber antes o quanto é difícil fazer com responsabilidade um trabalho social.
Participei, durante essa semana, de um curso na faculdade para poder atuar socialmente, fazendo um 'pré-atendimento' com pessoas em uma favela.
Foi assustador receber aquele monte de informação e perceber que, mais uma vez, terei que enfrentar a mim mesma, meus preconceitos e minhas dificuldades para agir.
Quase desisti no meio do curso mas se fizesse isso teria que desistir da faculdade também, pois estaria indo contra meus princípios e objetivos, definidos quando decidi ser médica.
Não importa as dificuldades que terei que enfrentar, as barreiras que terei que ultrapassar, quero fazer esse trabalho, dar meu sangue por ele, aprender muito. Espero que consiga ir em frente até o fim. Não vai ser fácil mas, com certeza, valerá a pena.

fevereiro 22, 2003

Curso gratuito de treinamento para organização de projetos sociais
A Comunidade está realizando um treinamento para desenvolvimento pessoal e organização de projetos sociais. Quem estiver interessado em participar ou saber mais informações, envie um e-mail para eles (o endereço pode ser encontrado no site) manifestando interesse.

fevereiro 14, 2003

Estou impressionada com o pequeno número de trabalhos sociais realizados pela faculdade de Medicina da USP e pelo desinteresse dos alunos em relação a esse assunto. Tentei conversar sobre isso com alguns veteranos e só faltou eles me xingarem por estar "enchendo o saco" com assunto de "tão pouca relevância". É claro, né, a Calomed e a Intermed são muitíssimo mais importantes do que trabalhos socias... Olha o absurdo!!!

fevereiro 03, 2003

Sobre as críticas

Tenho recebido algumas críticas à idéia desse blog: algumas pessoas acham que eu sou sonhadora demais, que fazer uma página como esta não adianta nada porque ninguém está interessado em ler sobre isso ou em ser voluntário.

Quando ouço ou leio algo assim, fico me perguntando: "O que devo fazer, então? Ficar parada, calada, vendo as atrocidades do mundo e fingir que não me atingem? Ou, quem sabe, ir cuidar da minha vida e dar um trocado cada vez que encontrar um menino de rua?".
Eu sei que realmente são pouquíssimas pessoas que se interessam por assuntos como esse e que, mesmo se conseguisse reunir todas elas, não conseguiríamos fazer do mundo um lugar perfeito. Porém, também sei que se, essas poucas pessoas desistissem, não agissem, o mundo seria muito pior.

Assumo que sou sonhadora e, às vezes, até um pouco utópica, mas prefiro idealizar e tentar colocar meus sonhos em prática do que ficar sentada em casa reclamando da vida, do governo ou dos mendigos "que sujam as calçadas e destroem a imagem da cidade".

Na verdade, quando eu era mais nova eu era um tanto ambiciosa e bastante pessimista em relação ao mundo. Eu queria morar numa mansão, ter um emprego que me desse muita grana para viajar pelo mundo, aprender vários idiomas, ter vários empregados, ter dois ou três filhos, para ter com quem me preocupar... e achava que o mundo era assim mesmo, que as pessoas eram todas individualistas e mercenárias, que não adiantava me preocupar com os problemas dos outros ou do país porque havia muito mais gente interessada em manter os problemas (que muitas vezes são bastante lucrativos) e que tudo pioraria a cada dia...
Até que conheci gente que não pensava assim, algumas pessoas que se doavam para tentar mudar a situação (e obtinham sucesso, mesmo que em pequena área), outras que tinham boas intenções mas não sabiam o que fazer e, ainda, algumas que sabiam que podiam fazer algo apesar de se omitirem.

Mesmo sendo um pequeno passarinho numa floresta em chamas, eu acredito, realmente, que é minha obrigação como cidadã, como pessoa minimamente esclarecida, fazer a minha parte, tentando ajudar no que eu puder porque sei que mesmo sendo pouco, fará diferença.

Uma vez, uma mulher que eu admiro muito me disse que se eu conseguisse ajudar verdadeiramente duas pessoas, cada uma delas poderia ajudar mais duas... e isso poderia se multiplicar. Acho que é isso que eu busco: tento ajudar algumas pessoas e incentivá-las a fazer o mesmo. Se, até o fim da minha vida, houver pelo menos duas que resolvam ajudar outras, mais um elo da corrente estará formado.


Minha esperança, a "missão" desse blog, é conseguir convencer pelo menos uma pessoa que agir é melhor do que reclamar e que, mesmo se for a única, fará a diferença.


janeiro 27, 2003

Caminhos e Parcerias

Ontem, assistindo ao programa Caminhos e Parcerias da TV Cultura, chorei feito um bebê ao ver Rogério.
A reportagem a que assisti, feita por Neide Duarte, falava sobre as crianças vítimas da seca, no sertão de Alagoas, que sofrem com o descaso dos governantes e contava histórias de mulheres que, por exemplo, tiveram 24 filhos, dos quais 15 morreram, os outros todos são (ou foram) desnutridos e a família toda passa fome. Uma situação lastimável.
Rogério é um sertanejo, hoje com 4 anos, que também sofre de desnutrição. Há cerca de 8 meses eu havia assistido uma reportagem desse mesmo programa, mas feita há dois anos, na qual uma imagem apresentada me chocou e ficou marcada na minha memória e no meu coração: Rogério (com 2 anos) estava na fila do hospital, esperando para ser examinado, quando a repórter lhe deu um copo de água de coco. Aquele menino, nascido naquela terra tão rica em cocos, tomou pela primeira vez a doce água. O pequeno garoto, com olhar triste e braços tão magrinhos, agarrou o copo com tamanha força e bebeu-o inteiro. Ao terminar, tentou lamber o restinho no copo e, quando sua mãe tirou o recipiente de suas mãos, ele abriu um sorriso iluminado (o mais lindo que já vi). Lembrei das palavras da médica na reportagem "quando uma criança em tal condição sorri, é porque ela está salva" e desejei, com todas as minhas forças, que aquela frase fosse verdadeira. Pois bem, 2 anos depois, a repórter voltou para ver como estava Rogério e... ele realmente estava salvo. Tinha engoradado mais, com a abençoada ajuda de um padrinho (empresário) que lhe enviava alimentos todo mês. Rogério estava feliz e parecia que se lembrava da repórter Neide quando a abraçou com tamanho carinho. Chorei, chorei, chorei...
Chorei por saber que ele estava bem, por saber que infelizmente muitos não tem a mesma sorte e morrem antes mesmo de conseguir pedir ajuda, por saber que milhares de pessoas convivem com essa realidade, abandonados e/ou sendo explorados, sem poder melhorar e, principalmente, chorei por não poder fazer nada agora (ou por não saber o que fazer diretamente).

É por essas e outras que penso que quando eu terminar a Faculdade de Medicina e a Residência, quero viajar para algum canto desse imenso país, para algum lugar que esteja precisando de uma médica e de uma cidadã com algum conhecimento, para tentar melhorar a vida de pelo menos algumas pessoas. Sei que os recursos dos hospitais desses lugares são bastante escassos e que muitas vezes faltam objetos essenciais como ataduras ou algodão. Mas é por isso também que quero ir. Porque pouquíssimos são os profissionais que tem coragem para enfrentar situação tão difícil e, se eu tiver, minha responsabilidade se duplicará.

Sei que antes desses 8 ou 10 anos, durante meus estudos, já poderei começar a fazer algo por essas pessoas tão sofridas e realmente pretendo fazer. Acho que o primeiro passo foi ter feito esse blog para tentar compartilhar com outras pessoas idéias semelhantes e, para que juntos, possamos agir.



janeiro 21, 2003

Tive vontade de criar esse blog com objetivos claramente sociais.
Ainda não tenho uma idéia muito madura sobre o que vou publicar mas aceito sugestões.
Para começar, se houver interesse, sugiro que visite os sites ao lado.